Estudo está publicado na Nature Materials
Investigadores da Universidade de Michigan acabam de apresentar um cabo muito fino capaz de 'ligar' diretamente o cérebro humano a um computador. O dispositivo é tão preciso que pode mesmo conectar-se a células individuais. O estudo está publicado na Nature Materials.
O cabo é um filamento de carbono revestido de plástico de modo a que os sinais elétricos dos neurônios não provoquem interferências indesejadas. Numa das pontas, está impregnado com um gel cuja finalidade é a acoplar-se perfeitamente às membranas das células cerebrais e transmitir e receber delas sinais elétricos. O outro extremo está conectado a um computador para que os sinais que o cérebro emite chegam diretamente à máquina com grande clareza.
O eléctrodo, explica Nicholas Kotov, um dos investigadores que desenvolveu o dispositivo, tem um diâmetro de 0,007 milímetros, muito menos do que os anteriores. Além deste ser mais preciso, pode conectar-se a qualquer tipo de dispositivo, por exemplo, a uma prótese.
Os impulsos elétricos viajam através do cérebro por movimentos de iões ou átomos com cargas elétricas, e os sinais movem-se através do gel da mesma maneira. Do outro lado, a fibra de carbono responde aos iões movendo eletrões que traduzem eficazmente o sinal do cérebro para a linguagem dos dispositivos eletrônicos.
O cabo foi já testado em ratinhos e teve bons resultados. No entanto, os autores do artigo esclarecem que ainda não está pronto para ser utilizado em seres humanos. Quando estiver, vai contribuir para revelar numerosos mistérios sobre o cérebro e o seu funcionamento, entre eles a forma como os neurônios comunicam entre si ou o traçado exato das 'autoestradas' que cruzam o cérebro transportando a informação que este processa continuamente.
Um dos maiores problemas ainda por resolver é o tempo de 'validade' do eléctrodo. Para que possa ser utilizado, por exemplo, numa prótese, o cabo deverá resistir durante anos sem degradar-se. Até agora, os testes duraram apenas seis semanas. Desconhece-se, por isso, como poderá evoluir em períodos longos.
Assim cada vez mais a tecnologia é aliada da ciência. E essa ligação entre tecnologia e ciência tende a aumentar cada vez mais.
http://biologias.com/noticias/1311/investigadores-criam-cabo-que-liga-cerebro-a-computador
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Encontrado o planeta potencialmente habitável mais próximo da Terra
O HD 40307g faz parte de um sistema com seis planetas e encontra-se a 42 anos-luz
Uma equipe de astrónomos europeus descobriu um exoplaneta que se encontra a uma distância adequada da sua estrela, podendo, assim, ter um clima semelhante ao da Terra e condições para albergar vida. Esta super-Terra, cuja massa é sete vezes a do nosso planeta, recebe uma quantidade de energia muito parecida à que nós recebemos do Sol e cumpre, também, o padrão dia/noite.
HD 40307g faz parte de um sistema com seis planetas que orbitam a estrela HD 40307 e encontra-se a 'apenas' 42 anos-luz da Terra. Três dos planetas deste sistema, já antes conhecidos, estão demasiado perto da sua estrela para poderem conter água líquida. Graças a novas técnicas de análise de dados, foi possível identificar as restantes super-Terras.
Dos planetas descobertos, o de maior interesse é mesmo o HD 40307g, que apresenta a órbita mais distante da estrela (distância semelhante à da Terra ao Sol), o que aumenta a probabilidade de ser habitável, podendo ter água em estado líquido e uma atmosfera estável para suportar vida.
Os astrónomos acham ainda provável que o planeta gire em torno do seu eixo, à medida que orbita a estrela, cumprindo o ciclo dia e noite que pode, em teoria, potenciar a evolução de organismos.
“A estrela HD 40307 é uma anã branca perfeitamente tranquila, não havendo, assim, nenhuma razão para que o planeta não possa manter um clima parecido com o da Terra”, considera Guillem Angla-Escude, da Universidade de Göttingen (Alemanha).
No início deste ano, a nave espacial Kepler descobriu um planeta com uma órbita parecida. No entanto, aquele – o Kepler 22d – encontra-se a 600 anos-luz da Terra, enquanto o novo exoplaneta está muito mais perto.
“Descobertas como esta são realmente emocionantes. Este tipo de sistemas serão os alvos da próxima geração de grandes telescópios”, afirma David Pinfield, da Universidade de Hertfordshire, e responsável pelo programa de procura de exoplanetas denominado RoPACS (Rocky Planets Around Cool Stars). A investigação será publicada na «Astronomy & Astrophysics».
Uma equipe de astrónomos europeus descobriu um exoplaneta que se encontra a uma distância adequada da sua estrela, podendo, assim, ter um clima semelhante ao da Terra e condições para albergar vida. Esta super-Terra, cuja massa é sete vezes a do nosso planeta, recebe uma quantidade de energia muito parecida à que nós recebemos do Sol e cumpre, também, o padrão dia/noite.
HD 40307g faz parte de um sistema com seis planetas que orbitam a estrela HD 40307 e encontra-se a 'apenas' 42 anos-luz da Terra. Três dos planetas deste sistema, já antes conhecidos, estão demasiado perto da sua estrela para poderem conter água líquida. Graças a novas técnicas de análise de dados, foi possível identificar as restantes super-Terras.
Dos planetas descobertos, o de maior interesse é mesmo o HD 40307g, que apresenta a órbita mais distante da estrela (distância semelhante à da Terra ao Sol), o que aumenta a probabilidade de ser habitável, podendo ter água em estado líquido e uma atmosfera estável para suportar vida.
Os astrónomos acham ainda provável que o planeta gire em torno do seu eixo, à medida que orbita a estrela, cumprindo o ciclo dia e noite que pode, em teoria, potenciar a evolução de organismos.
“A estrela HD 40307 é uma anã branca perfeitamente tranquila, não havendo, assim, nenhuma razão para que o planeta não possa manter um clima parecido com o da Terra”, considera Guillem Angla-Escude, da Universidade de Göttingen (Alemanha).
No início deste ano, a nave espacial Kepler descobriu um planeta com uma órbita parecida. No entanto, aquele – o Kepler 22d – encontra-se a 600 anos-luz da Terra, enquanto o novo exoplaneta está muito mais perto.
“Descobertas como esta são realmente emocionantes. Este tipo de sistemas serão os alvos da próxima geração de grandes telescópios”, afirma David Pinfield, da Universidade de Hertfordshire, e responsável pelo programa de procura de exoplanetas denominado RoPACS (Rocky Planets Around Cool Stars). A investigação será publicada na «Astronomy & Astrophysics».
Isto é um grande avanço nas pesquisas sobre planetas e poderá nos ajudar no futuro
http://biologias.com/noticias/1308/encontrado-o-planeta-potencialmente-habitavel-mais-proximo-da-terra
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Estudo revela como e quando se desenvolveu a visão nos seres humanos
Opsinas evoluíram com menos mudanças genéticas do que se pensava
As origens de evolução da visão são há muito tempo alvo de um longo debate, sobretudo devido aos relatórios inconsistentes das relações filogenéticas entre os animais que mais cedo possuíram opsinas.
Estas proteínas sensíveis à luz e que são um elemento chave na nossa visão poderão ter evoluído mais cedo e com menos mudanças genéticas do que se pensava, sugere um novo estudo da University of Bristol.
A investigação utilizou simulações em computador para chegar a uma imagem detalhada de como e quando as opsinas evoluíram, tanto nos animais como nos seres humanos. Os cientistas começaram por fazer uma análise computacional de todas as hipóteses de evolução das opsinas existentes até à data. A análise incorporou toda a informação genómica disponível de todas as linhagens de animais relevantes, incluindo um novo grupo sequenciado de Oscarella Carmela e os cnidários, animais marinhos que, acredita-se, possuíram os primeiros olhos do mundo.
Utilizando esta informação, os investigadores desenvolveram um cronograma com um antepassado da opsina, comum a todos os grupos que apareceram há 700 milhões de anos. Esta opsina era considerada ‘cega’, mas ainda assim passou por mudanças genéticas durante os 11 milhões de anos em que transmitiu a capacidade de detectar luz.
“A grande importância do nosso estudo teve como pano de fundo o facto de termos encontrado a mais antiga origem da visão, e que ela se originou apenas uma vez nos animais. Isto é uma descoberta fantástica porque implica que o nosso estudo descobriu, como consequência, como e quando a visão evoluiu nos seres humanos”, explicou Davide Pisani, um dos investigadores do estudo.
As origens de evolução da visão são há muito tempo alvo de um longo debate, sobretudo devido aos relatórios inconsistentes das relações filogenéticas entre os animais que mais cedo possuíram opsinas.
Estas proteínas sensíveis à luz e que são um elemento chave na nossa visão poderão ter evoluído mais cedo e com menos mudanças genéticas do que se pensava, sugere um novo estudo da University of Bristol.
A investigação utilizou simulações em computador para chegar a uma imagem detalhada de como e quando as opsinas evoluíram, tanto nos animais como nos seres humanos. Os cientistas começaram por fazer uma análise computacional de todas as hipóteses de evolução das opsinas existentes até à data. A análise incorporou toda a informação genómica disponível de todas as linhagens de animais relevantes, incluindo um novo grupo sequenciado de Oscarella Carmela e os cnidários, animais marinhos que, acredita-se, possuíram os primeiros olhos do mundo.
Utilizando esta informação, os investigadores desenvolveram um cronograma com um antepassado da opsina, comum a todos os grupos que apareceram há 700 milhões de anos. Esta opsina era considerada ‘cega’, mas ainda assim passou por mudanças genéticas durante os 11 milhões de anos em que transmitiu a capacidade de detectar luz.
“A grande importância do nosso estudo teve como pano de fundo o facto de termos encontrado a mais antiga origem da visão, e que ela se originou apenas uma vez nos animais. Isto é uma descoberta fantástica porque implica que o nosso estudo descobriu, como consequência, como e quando a visão evoluiu nos seres humanos”, explicou Davide Pisani, um dos investigadores do estudo.
Isto é muito interessante para sabermos como foi o desenvolvimento na nossa visão
http://biologias.com/noticias/1306/estudo-revela-como-e-quando-se-desenvolveu-a-visao-nos-seres-humanos
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Dinossauros que usavam penas como os pavões
O 'Ornithomimus edmontonicus' encontrado no Canadá tinha penas mas não voava
Viveu há 75 milhões de anos no território que é hoje o Canadá. Era um dinossauro veloz e o seu aspecto lembra a avestruz, com um crânio pequeno e um pescoço longo. Uma equipa de paleontólogos encontraram três indivíduos do mesmo mesmo grupo dos Ornithomimosauria e baptizaram a espécie como Ornithomimus edmontonicus.
A sua análise permitiu formular outra hipótese sobre a origem e a função das penas que cobriam os dinossauros que não voavam. As conclusões do estudo estão publicadas na Science.
Os investigadores, liderados por Darla K. Zelenitsky, da Universidade de Calgary, propõem que as asas cobertas de penas serviam aos adultos tanto para cortejar potenciais parceiros para acasalamento como para abrigar os seus ovos. Os pavões são exemplos atuais de aves que exibem as suas aves para atrair o sexo oposto.
Os Ornithomimosauria eram dinossauros terópodes e viveram durante o Cretáceo. Os fósseis desenterrados em Alberta (Canadá) pertencem a um indivíduo jovem e a dois adultos. O primeiro media um metro e meio de comprimento e os autores acreditam que tinha aproximadamente um ano de idade. Os exemplares adultos rondavam os três metros e meio.
Esta foi a primeira vez que se encontraram restos de dinossauros não voadores com penas na América do Norte. A maior parte deste tipo de dinossauros tinha sido encontrada na China e na Alemanha. Apesar de se conhecerem muitos esqueletos de Ornithomimosauria, estes são os primeiros que revelam uma cobertura de penas. O facto de terem encontrado um indivíduo jovem e dois adultos permitiu comparar as suas diferenças de plumagem.
Só os exemplares maiores apresentavam penas compridas, formando estruturas parecidas com asas, característica que sugere que estas só seriam utilizadas na idade adulta, o que por sua vez indica que como os mais novos não necessitam de penas, estas não eram utilizadas exercer o voo. A plumagem está, provavelmente, relacionada com comportamentos reprodutivos, afirmam.
Isto mostra a ligação entre várias espécies diferentes através das eras.
http://biologias.com/noticias/1305/dinossauros-que-usavam-penas-como-os-pavoes
Viveu há 75 milhões de anos no território que é hoje o Canadá. Era um dinossauro veloz e o seu aspecto lembra a avestruz, com um crânio pequeno e um pescoço longo. Uma equipa de paleontólogos encontraram três indivíduos do mesmo mesmo grupo dos Ornithomimosauria e baptizaram a espécie como Ornithomimus edmontonicus.
A sua análise permitiu formular outra hipótese sobre a origem e a função das penas que cobriam os dinossauros que não voavam. As conclusões do estudo estão publicadas na Science.
Os investigadores, liderados por Darla K. Zelenitsky, da Universidade de Calgary, propõem que as asas cobertas de penas serviam aos adultos tanto para cortejar potenciais parceiros para acasalamento como para abrigar os seus ovos. Os pavões são exemplos atuais de aves que exibem as suas aves para atrair o sexo oposto.
Os Ornithomimosauria eram dinossauros terópodes e viveram durante o Cretáceo. Os fósseis desenterrados em Alberta (Canadá) pertencem a um indivíduo jovem e a dois adultos. O primeiro media um metro e meio de comprimento e os autores acreditam que tinha aproximadamente um ano de idade. Os exemplares adultos rondavam os três metros e meio.
Esta foi a primeira vez que se encontraram restos de dinossauros não voadores com penas na América do Norte. A maior parte deste tipo de dinossauros tinha sido encontrada na China e na Alemanha. Apesar de se conhecerem muitos esqueletos de Ornithomimosauria, estes são os primeiros que revelam uma cobertura de penas. O facto de terem encontrado um indivíduo jovem e dois adultos permitiu comparar as suas diferenças de plumagem.
Só os exemplares maiores apresentavam penas compridas, formando estruturas parecidas com asas, característica que sugere que estas só seriam utilizadas na idade adulta, o que por sua vez indica que como os mais novos não necessitam de penas, estas não eram utilizadas exercer o voo. A plumagem está, provavelmente, relacionada com comportamentos reprodutivos, afirmam.
Isto mostra a ligação entre várias espécies diferentes através das eras.
http://biologias.com/noticias/1305/dinossauros-que-usavam-penas-como-os-pavoes
sábado, 27 de outubro de 2012
Veneno da cobra mais mortífera do mundo inspira medicamento melhor que morfina
Pesquisadores franceses do Instituto de Farmacologia Celular e Molecular em Nice descobriram que o veneno de mamba-negra, uma cobra africana considerada por muitos a mais mortífera do mundo, pode agir como um analgésico tão forte quanto a morfina, mas sem seus efeitos colaterais.
Os cientistas pesquisaram 50 espécies de cobras diferentes até encontrarem o que buscavam na mamba-negra ou mamba-preta (Dendroaspis polylepis), uma das cobras mais venenosas e rápidas do mundo.
Seu veneno pode ser separado em vários compostos. Uma classe específica de peptídeos encontrada nesse veneno, chamada de mambalgins, tem capacidades analgésicas incríveis.
As mambalgins trabalham com um conjunto totalmente diferente de receptores do que a morfina, mas igualmente eficazes – ou até melhores.
A morfina age no caminho dos opióides no cérebro. Ela pode cortar a dor, mas também é viciante e causa dores de cabeça, dificuldade de pensamento, vômitos e espasmos musculares. Já as mambalgins combatem a dor através de uma rota totalmente diferente no cérebro, que produz menos efeitos colaterais.
Por exemplo, quando o analgésico feito a partir do veneno da cobra foi testado em ratos, a maioria dos efeitos colaterais da morfina não foi vista. As mambalgins foram tão eficazes quanto a morfina em acalmar a dor, mas não provocaram a mesma supressão respiratória, e, embora depois de cinco dias os ratos tenham mostrado alguma tolerância, esta foi menor do que com os opiáceos.
Testes em células humanas feitos em laboratório também mostraram que as mambalgins têm efeitos químicos semelhantes em pessoas. No entanto, a pesquisa com humanos está no seu estágio inicial, e mais estudos são necessários antes da substância se tornar um analgésico comercial.
Isso mostra como algo que mesmo sendo prejudicial, de alguma maneira nós podemos usá-los a nosso favor.
http://biologias.com/noticias/1296/veneno-da-cobra-mais-mortifera-do-mundo-inspira-medicamento-melhor-que-morfina
Os cientistas pesquisaram 50 espécies de cobras diferentes até encontrarem o que buscavam na mamba-negra ou mamba-preta (Dendroaspis polylepis), uma das cobras mais venenosas e rápidas do mundo.
Seu veneno pode ser separado em vários compostos. Uma classe específica de peptídeos encontrada nesse veneno, chamada de mambalgins, tem capacidades analgésicas incríveis.
As mambalgins trabalham com um conjunto totalmente diferente de receptores do que a morfina, mas igualmente eficazes – ou até melhores.
A morfina age no caminho dos opióides no cérebro. Ela pode cortar a dor, mas também é viciante e causa dores de cabeça, dificuldade de pensamento, vômitos e espasmos musculares. Já as mambalgins combatem a dor através de uma rota totalmente diferente no cérebro, que produz menos efeitos colaterais.
Por exemplo, quando o analgésico feito a partir do veneno da cobra foi testado em ratos, a maioria dos efeitos colaterais da morfina não foi vista. As mambalgins foram tão eficazes quanto a morfina em acalmar a dor, mas não provocaram a mesma supressão respiratória, e, embora depois de cinco dias os ratos tenham mostrado alguma tolerância, esta foi menor do que com os opiáceos.
Testes em células humanas feitos em laboratório também mostraram que as mambalgins têm efeitos químicos semelhantes em pessoas. No entanto, a pesquisa com humanos está no seu estágio inicial, e mais estudos são necessários antes da substância se tornar um analgésico comercial.
Isso mostra como algo que mesmo sendo prejudicial, de alguma maneira nós podemos usá-los a nosso favor.
http://biologias.com/noticias/1296/veneno-da-cobra-mais-mortifera-do-mundo-inspira-medicamento-melhor-que-morfina
sábado, 20 de outubro de 2012
Novo teste substitui ensaios em animais na indústria cosmética
Projeto foi desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra
Investigadores do Centro de Neurociências (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram um teste pioneiro para a detecção do potencial alergênico cutâneo de químicos (avaliação da sensibilização cutânea), que permite reduzir significativamente os ensaios em animais na indústria de cosmética.
O teste in vitro baseia-se na utilização de células de pele imortalizadas para avaliar, através da análise de diversos parâmetros, o potencial alergênico cutâneo de químicos antes da sua introdução no mercado, substituindo deste modo os respectivos ensaios em animais.
Denominado ‘Sensitiser Predictor’, o projeto resulta de sucessivos estudos realizados ao longo dos últimos seis anos pelos investigadores Teresa Cruz Rosete, Bruno Neves e Susana Rosa. Já foi distinguido com vários prêmios nacionais e internacionais, pois além de “dar resposta à imposição legislativa da União Europeia no sentido de abolir a utilização de animais em ensaios de produtos da indústria de cosmética, é um método muito mais rápido do que os atuais que recorrem aos ensaios em animais, mais econômico e passível de ser usado em grande escala”, enumera Teresa Cruz Rosete.
Com uma patente internacional em fase de avaliação, o projecto, “carece ainda da validação do European Centre for the Validation of Alternative Methods – ECVAM, para que possa ser considerado de referência a nível da OCDE”, observa a investigadora do grupo de Imunologia Celular e Oncobiologia do CNC.
Apesar de forte pressão da União Europeia para se acabar com os ensaios em animais, ainda não existem testes alternativos para diversos itens de toxicidade, nomeadamente sensibilização cutânea. Por isso, “o ‘Sensitiser Predictor’ poderá marcar a mudança de paradigma na avaliação da toxicidade de compostos. A comunidade científica internacional está precisamente a apostar no desenvolvimento de métodos simples e rápidos, para substituir os testes em animais”, conclui a cientista.
O grupo, único em Portugal a trabalhar no desenvolvimento de testes para avaliação da sensibilização cutânea, pretende agora alargar o teste a outras áreas, nomeadamente a alergias respiratórias.
http://biologias.com/noticias/1293/novo-teste-substitui-ensaios-em-animais-na-industria-cosmetica
Isso mostra como as pesquisas são sempre importantes para a evolução da ciência.
Investigadores do Centro de Neurociências (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram um teste pioneiro para a detecção do potencial alergênico cutâneo de químicos (avaliação da sensibilização cutânea), que permite reduzir significativamente os ensaios em animais na indústria de cosmética.
O teste in vitro baseia-se na utilização de células de pele imortalizadas para avaliar, através da análise de diversos parâmetros, o potencial alergênico cutâneo de químicos antes da sua introdução no mercado, substituindo deste modo os respectivos ensaios em animais.
Denominado ‘Sensitiser Predictor’, o projeto resulta de sucessivos estudos realizados ao longo dos últimos seis anos pelos investigadores Teresa Cruz Rosete, Bruno Neves e Susana Rosa. Já foi distinguido com vários prêmios nacionais e internacionais, pois além de “dar resposta à imposição legislativa da União Europeia no sentido de abolir a utilização de animais em ensaios de produtos da indústria de cosmética, é um método muito mais rápido do que os atuais que recorrem aos ensaios em animais, mais econômico e passível de ser usado em grande escala”, enumera Teresa Cruz Rosete.
Com uma patente internacional em fase de avaliação, o projecto, “carece ainda da validação do European Centre for the Validation of Alternative Methods – ECVAM, para que possa ser considerado de referência a nível da OCDE”, observa a investigadora do grupo de Imunologia Celular e Oncobiologia do CNC.
Apesar de forte pressão da União Europeia para se acabar com os ensaios em animais, ainda não existem testes alternativos para diversos itens de toxicidade, nomeadamente sensibilização cutânea. Por isso, “o ‘Sensitiser Predictor’ poderá marcar a mudança de paradigma na avaliação da toxicidade de compostos. A comunidade científica internacional está precisamente a apostar no desenvolvimento de métodos simples e rápidos, para substituir os testes em animais”, conclui a cientista.
O grupo, único em Portugal a trabalhar no desenvolvimento de testes para avaliação da sensibilização cutânea, pretende agora alargar o teste a outras áreas, nomeadamente a alergias respiratórias.
http://biologias.com/noticias/1293/novo-teste-substitui-ensaios-em-animais-na-industria-cosmetica
Isso mostra como as pesquisas são sempre importantes para a evolução da ciência.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Peixes podem ficar mais pequenos com aumento de temperatura dos oceanos
Estudo está publicado na Nature Climate Change
A emissão de gases que provocam efeito de estufa pode ter mais impacto nos ecossistemas marinhos do que se pensava. Num estudo publicado agora na «Nature Climate Change», os investigadores admitem que algumas espécies de peixes podem diminuir o seu tamanho entre 14 e 24 por cento devido ao aquecimento global.
Os investigadores simularam o impacto das temperaturas em mais de 600 espécies até 2050. As águas mais quentes têm, dizem, menor nível de oxigénio, o que faz com que os peixes tenham um tamanho mais reduzido.
Investigações anteriores sugeriam que as alterações na temperatura dos oceanos afetam tanto a localização como a procriação de diversas espécies.
Mas para avaliar as alterações de tamanho, os cientistas projetaram um modelo que tenta compreender como estes animais reagem à redução do oxigénio na água, utilizando dados do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas.
Apesar dos dados apontarem para uma mudança pequena na temperatura da água dos oceanos, o impacto é grande no que diz respeito ao tamanho dos peixes.
"O aumento da temperatura faz elevar a taxa metabólica do corpo dos peixes", explicou William Cheung, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), à BBC News. "Isso requer mais oxigénio para que as funções corporais comuns sejam realizadas. Faltará oxigénio para o crescimento, e o peixe terá um corpo menor”.
Os investigadores admitem que há incertezas quanto às previsões das alterações climáticas e isso pode afetar o modelo apresentado. Cheung diz que são necessários novos estudos e que é preciso, no futuro, olhar com mais cuidado para a resposta biológica dos peixes.
Outros cientistas alertam para o impacto disso na indústria pesqueira. “Indivíduos menores vão produzir ovos menores e em menor quantidade, o que afetará o potencial reprodutivo dos cardumes e reduzirá a sua resistência à pesca e à poluição”, diz Alan Baudron, da Universidade de Aberdeen (Grã-Bretanha).
A emissão de gases que provocam efeito de estufa pode ter mais impacto nos ecossistemas marinhos do que se pensava. Num estudo publicado agora na «Nature Climate Change», os investigadores admitem que algumas espécies de peixes podem diminuir o seu tamanho entre 14 e 24 por cento devido ao aquecimento global.
Os investigadores simularam o impacto das temperaturas em mais de 600 espécies até 2050. As águas mais quentes têm, dizem, menor nível de oxigénio, o que faz com que os peixes tenham um tamanho mais reduzido.
Investigações anteriores sugeriam que as alterações na temperatura dos oceanos afetam tanto a localização como a procriação de diversas espécies.
Mas para avaliar as alterações de tamanho, os cientistas projetaram um modelo que tenta compreender como estes animais reagem à redução do oxigénio na água, utilizando dados do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas.
Apesar dos dados apontarem para uma mudança pequena na temperatura da água dos oceanos, o impacto é grande no que diz respeito ao tamanho dos peixes.
"O aumento da temperatura faz elevar a taxa metabólica do corpo dos peixes", explicou William Cheung, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), à BBC News. "Isso requer mais oxigénio para que as funções corporais comuns sejam realizadas. Faltará oxigénio para o crescimento, e o peixe terá um corpo menor”.
Os investigadores admitem que há incertezas quanto às previsões das alterações climáticas e isso pode afetar o modelo apresentado. Cheung diz que são necessários novos estudos e que é preciso, no futuro, olhar com mais cuidado para a resposta biológica dos peixes.
Outros cientistas alertam para o impacto disso na indústria pesqueira. “Indivíduos menores vão produzir ovos menores e em menor quantidade, o que afetará o potencial reprodutivo dos cardumes e reduzirá a sua resistência à pesca e à poluição”, diz Alan Baudron, da Universidade de Aberdeen (Grã-Bretanha).
Mais uma incrível descoberta para a ciência. Com essa descoberta ficaremos muito loucos.
http://biologias.com/noticias/1289/peixes-podem-ficar-mais-pequenos-com-aumento-de-temperatura-dos-oceanos
http://biologias.com/noticias/1289/peixes-podem-ficar-mais-pequenos-com-aumento-de-temperatura-dos-oceanos
sábado, 6 de outubro de 2012
Droga para HIV pode tratar pacientes com tipo grave de câncer de mama
Inibidora da enzima protease, a droga Nelfinavir pode ser usada para tratar o câncer de mama HER2-positivo na mesma capacidade e dosagem que é usada para tratar o HIV, de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira no Journal of the National Cancer Institute. Este tipo de câncer de mama é conhecido por ser mais agressivo e menos sensível a tratamentos em comparação a outros tipos.
A Nelfinavir já foi usada para inibir o crescimento de certos tipos de cânceres e tem sido usada em ensaios clínicos como um agente quimioterápico ou um radiossensibilizador para a terapia. No entanto, os seus efeitos sobre o câncer de mama HER2-positivo ainda eram desconhecidos.
Para determinar o efeito do medicamento nesse tipo de câncer, Joong Sup Shim, do Departamento de Farmacologia e Ciência Molecular Escola de Medicina Johns Hopkins, e seus colegas examinaram a biblioteca de drogas da instituição e identificaram uma série de inibidores de células do câncer de mama, um subconjunto dos quais foi, então, utilizado para traçar o perfil farmacológico de sete linhagens de células genotipicamente individuais. Após identificar o Nelfinavir como inibidor seletivo das células de HER2-positivo, os pesquisadores determinaram a atividade antitumoral do medicamento em modelos de ratos.
Os cientistas descobriram que a droga, de fato, inibiu o crescimento de tumores HER2-positivo em ratos, e também que as concentrações necessárias para esse procedimento in vitro correspondiam ao regime de dosagem usado para tratar pacientes de HIV. "Com um perfil de toxidade relativamente baixo e as informações disponíveis sobre a medicamentosas e farmacocinética, o Nelfinavir está pronto para testes clínicos em pacientes com esse tipo de câncer", escrevem os autores, acrescentando que a descoberta tem "implicações importantes no desenvolvimento do Nelfinavir e seus análogos como novos agentes anticâncer.
Isso mostra que as pesquisas estão evoluindo e que algo que ajuda para certa doença pode ser usado para outras coisas.
sábado, 29 de setembro de 2012
Monstro pré-histórico trazido à vida em 3D
Monstro pré-histórico trazido à vida em 3D
Uma equipe de investigadores da Universidade do Texas, em Austin (EUA) – em colaboração com uma empresa dinamarquesa, especializada em criar bonecos e modelos de animais vivos e já extintos –, fez uma reconstrução tridimensional (3D) de um molusco pré-histórico, baseando-se num fóssil.
O animal corresponde a um ‘multiplacaphoran’ (da espécie Protobalanus spinicoronatus) com cerca de três centímetros, tem formato oval e vivia em ambientes marinhos. O fóssil a partir do qual se baseou a recriação tem mais de 390 milhões de anos e foi descoberto em 2001 em Ohio e doado ao Museu de História Natural de Cincinnati.
Segundo os investigadores, quando um espécime é tão pequeno torna-se difícil perceber a sua morfologia ou estrutura e, por isso, em vez de criar uma versão de tamanho real, a equipa alargou o fóssil até 12 vezes, de forma a que seja mantido na palma de uma mão.
O autor do estudo, o paleontólogo Jakob Vinther, utilizou uma técnica de micro-tomografia computadorizada para criar uma versão 3D do molusco, originalmente coberto por pedras. As impressoras tridimensionais usam modelos de computador como guia, enquanto as máquinas vão dispondo várias camadas de um material suave que vai gradualmente endurecendo.
A equipa de Vinther considera que o ‘multiplacophoran’ foi parente distantes de moluscos existentes nos nossos dias e chamado de quítons – as cores da recriação 3D são baseadas neste ser marinho.
Uma equipe de investigadores da Universidade do Texas, em Austin (EUA) – em colaboração com uma empresa dinamarquesa, especializada em criar bonecos e modelos de animais vivos e já extintos –, fez uma reconstrução tridimensional (3D) de um molusco pré-histórico, baseando-se num fóssil.
O animal corresponde a um ‘multiplacaphoran’ (da espécie Protobalanus spinicoronatus) com cerca de três centímetros, tem formato oval e vivia em ambientes marinhos. O fóssil a partir do qual se baseou a recriação tem mais de 390 milhões de anos e foi descoberto em 2001 em Ohio e doado ao Museu de História Natural de Cincinnati.
Segundo os investigadores, quando um espécime é tão pequeno torna-se difícil perceber a sua morfologia ou estrutura e, por isso, em vez de criar uma versão de tamanho real, a equipa alargou o fóssil até 12 vezes, de forma a que seja mantido na palma de uma mão.
O autor do estudo, o paleontólogo Jakob Vinther, utilizou uma técnica de micro-tomografia computadorizada para criar uma versão 3D do molusco, originalmente coberto por pedras. As impressoras tridimensionais usam modelos de computador como guia, enquanto as máquinas vão dispondo várias camadas de um material suave que vai gradualmente endurecendo.
A equipa de Vinther considera que o ‘multiplacophoran’ foi parente distantes de moluscos existentes nos nossos dias e chamado de quítons – as cores da recriação 3D são baseadas neste ser marinho.
Novamente a tecnologia ajuda a ciência nesta bela reconstrução tridimensional. Tudo isso ajuda a pesquisadores entenderem melhor o passado.
sábado, 22 de setembro de 2012
Papiro que cita mulher de Jesus é falsificação moderna, diz estudioso
Um estudioso do Novo Testamento diz ter encontrado evidências de que o chamado "Evangelho da Mulher de Jesus" é uma falsificação moderna. O professor Francis Watson, da Universidade de Durham, diz que o fragmento de papiro que causou polêmica ao surgir no início desta semana, por se referir à suposta mulher de Jesus, é uma colcha de retalhos, e que todos os fragmentos de frases encontrados foram copiados, com algumas alterações, de edições impressas do Evangelho de Tomé. As informações são doGuardian.
A descoberta já acendeu um debate feroz entre os acadêmicos, mas o professor acredita que sua nova pesquisa possa ser conclusiva. "Eu creio que é mais ou menos indiscutível que eu demonstrei como a coisa foi composta", argumentou. "Eu ficaria muito surpreso se não fosse uma falsificação moderna, ainda que seja possível que tenha sido composta desta forma no século 4", acrescenta.
O artigo publicado online por Watson afirma que a obra foi montada por alguém que não era um falante ativo da linguagem copta - usada pelos cristãos egípcios durante o império romano -, o que é um jeito educado de dizer que se trata de um trabalho moderno. Ele não critica diretamente a professora Karen King, de Harvard, que apresentou o fragmento em uma conferência em Roma. Watson diz que ela fez um ótimo trabalho em apresentar as evidências e imagens do fragmento. Ele crê que o papiro em si pode datar do século 4, mas as palavras, diz ele, mostram claramente a influência dos livros impressos modernos. Karen afirmou acreditar que o papiro foi criado entre os séculos 2 e 4, mas a data do objeto ainda não foi analisada quimicamente.
Há uma quebra de linha no meio de uma palavra que parece ter sido retirada diretamente de edições modernas do Evangelho de Tomé, um texto genuinamente gnóstico ou cristão. De acordo com o professor, é comum que palavras estejam quebradas no meio em escritas antigas, como a copta, que eram escritas sem hífens. No entanto, é incomum que a ruptura apareça na mesma obra em dois manuscritos diferentes.
A professora Karen ainda não se manifestou sobre o assunto.
Isso mostra que não devemos confiar em tudo que vemos e ouvimos. Com as novas tecnologias falsificações estão cada vez mais convincentes.
sábado, 15 de setembro de 2012
Baratas ajudam cientistas a encontrar sobreviventes
Insetos são ‘equipados’ e colocados em edifícios destroçados
Cientistas da North Carolina State University vão aproveitar o comportamento das baratas para ajudar a salvar, por exemplo, vítimas de sismos.
Os investigadores vão usar algumas características destes insetos, como a dureza, resistência e capacidade para caberem em espaços muito pequenos, e redirecioná-las para mini-robots, que podem procurar sobreviventes em edifícios que tenham sido destroçados.
A inovação, porém, ainda não está pronta, por isso os investigadores estão a trabalhar numa alternativa: um sensor aplicado às baratas e que é operado, remotamente, por pessoas.
O projeto, liderado por Alper Bozkurt, inclui colocar nas baratas de Madagáscar uma espécie de mochila com um pequeno chip, um transmissor e receptor sem fios e um microcontrolador.
O microcontrolador está ligado às antenas e sensores das baratas. Localizado no abdómen, este sensor pode detectar movimento, para melhor resistir ao encontro com um predador. Quando o sensor é estimulado pelo microcontrolador, a barata pensa que há algum predador atrás dela e continua em frente.
Por outro lado, estes sensores são ativados quando a barata está perante objetos imovíveis, alertando-o que não pode ir nessa direcção. Neste caso, e quando o estímulo não vem de um objeto mas a partir de uma pequena carga eléctrica, o inseto continua a reagir com uma mudança de percurso.
Utilizando a habilidade dos animais e a inteligencia dos humanos em um conjunto ajuda muito.
http://biologias.com/noticias/1278/baratas-ajudam-cientistas-a-encontrar-sobreviventes
sábado, 8 de setembro de 2012
Descoberta molécula de açúcar perto de uma estrela
Um dos elementos fundamentais da vida pode estar no caminho de um planeta
O Observatório Europeu do Sul (ESO) anunciou a descoberta de moléculas de açúcar à volta de uma estrela. Com o radiotelescópio ALMA, situado no deserto de Atacama, no Chile, os cientistas conseguiram captar moléculas de glicolaldeído (C2H4O2) no gás que rodeia a estrela binária jovem IRAS 16293-2422, que tem uma massa semelhante à do Sol e situada a 400 anos-luz da Terra.
Esta molécula já tinha sido descoberta no espaço, mas esta é a primeira vez que é localizada tão perto de uma estrela deste tipo, a uma distância equivalente à que separa Urano do Sol. O estudo sobre este achado será publicado no Astrophysical Journal Letters.
“No disco de gás e pó que rodeia a estrela, encontrámos glicolaldeído, uma forma simples de açúcar, não muito diferente da que pomos no café”, explica Jes Jørgensen (do Niels Bohr Institute, Dinamarca), autor principal do artigo.
A molécula participa na formação de RNA, que, tal como o DNA, com o qual está relacionado, é um dos ingredientes fundamentais para haver vida. “As observações revelam que as moléculas de açúcar estão a ir em direcção a uma das estrelas do sistema”, indicou Cécile Favre, da Universidade de Aarhus (Dinamarca).
As moléculas “não só estão no lugar indicado para encontrarem o caminho para um planeta como também vão na direção correta. A descoberta demonstra que os elementos essenciais à vida estão no momento e no lugar certo para poderem existir nos planetas que se formam à volta da estrela”.
Isso mostra que dessa e de outras formas pode existir vida em outros lugares.
http://biologias.com/noticias/1273/descoberta-molecula-de-acucar-perto-de-uma-estrela
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Voz: a estranha semelhança entre humanos e gibões
Um novo estudo do Instituto de Investigação de Primatas da Universidade de Quioto (Japão) descobriu que os gibões (primatas pertencentes à família Hylobatidae) têm uma estrutura vocal muito parecida com a dos seres humanos.
Ao pé da letra, o que os cientistas descobriram foi que esses primatas têm técnicas de vocalização idênticas às dos sopranos (soprano é o nome do registro da voz feminina mais aguda, por cantores de ópera).
Os pesquisadores gravaram um certo chamado (canto) de gibões-de-mãos-brancas do Jardim Zoológico de Fukuchiyama, no Japão, em atmosfera normal e em atmosfera enriquecida com hélio.
Muitos de vocês sabem o efeito que o hélio tem na nossa voz: quando inalamos esse gás, por brincadeira, a nossa voz fica mais aguda, com um tom estridente. Isso acontece porque o hélio é menos denso que o ar, e aumenta as frequências de ressonância do trato vocal, sem alterar o som na sua fonte.
Os pesquisadores descobriram que a mesma coisa acontece com os macacos. Ao inalar hélio, a origem do som de uma chamada dos gibões, que ocorre na laringe, é separada das ferramentas vocais utilizadas para a modificar. Ou seja, humanos e gibões têm uma semelhança fisiológica incomum.
Essa semelhança é considerada incomum porque antes se pensava que a complexidade da fala humana era única entre os primatas. A fala humana requer variados sons suaves feitos pelos movimentos rápidos de tratos vocais, e os cientistas achavam que nosso discurso tinha evoluído através de modificações específicas em nossa anatomia vocal.
Porém, um chamado distintivo dos gibões usa a mesma mecânica vocal que cantores soprano, revelando uma semelhança fundamental com os seres humanos. A análise dos cientistas mostrou que os gibões têm um controle sobre a afinação de suas cordas e trato vocais que só é dominado por seres humanos muito habilidosos, ou seja, cantores de ópera profissionais.
Conclusão: os gibões podem manipular suas cordas vocais para produzirem sons. Mais: usam o mesmo mecanismo vocal que os cantores de ópera para obter sons mais agudos. “Isso nos dá uma nova apreciação da evolução do discurso em gibões, ao revelar que a fundação fisiológica da fala humana não é tão exclusiva”, afirma o principal autor do estudo, Takeshi Nishimura. [LiveScience, G1, P3]
Isso nos mostra como somos parecidos, mesmo que um pouco com todos os animais.
http://biologias.com/noticias/1269/voz-a-estranha-semelhanca-entre-humanos-e-giboes
sábado, 25 de agosto de 2012
ESA observa insetos perigosos a partir do Espaço
A Agência Espacial Europeia (ESA) está desenvolvendo um projeto para determinar com precisão a distribuição dos mosquitos na Europa, principalmente das espécies que podem ser transmissoras de doenças. O Vecmap tem como principal alvo a espécie Ochlerotatus Japonicus, que transmite a dengue e a febre de Chikungunya e que foi detectado pela primeira vez na Bélgica em 2002.O projeto combina dados de vegetação, temperatura e umidade do terreno e informação recolhida por satélites de observação.
As doenças transmitidas por mosquitos ou carraças estão tornando-se num problema de saúde pública na Europa, já que é muito difícil perceber como aparecem e de que forma podem proliferar, explica a ESA em comunicado.
Conhecer as condições, o lugar e a época da eclosão das larvas do mosquito, características que variam consoante as espécies, é uma forma de prevenção. O Vecmap é uma plataforma de software e serviços de suporte que simplifica a análise da distribuição dos mosquitos identificando habitats críticos a partir de dados recolhidos sobre o terreno e gerando mapas de risco.
Concretamente, os dados recolhidos sobre o terreno são introduzidos num telemóvel que marca a sua posição com o sinal dos satélites de navegação e os envia para uma base de dados centralizada. Esta permite que os investigadores acedam a uma grande variedade de gráficos e realizem procuras interactivas.
A consultora Avia-Gis está encarregada de coordenar o programa de erradicação do Ochlerotatus Japonicus da Bélgica, depois das autoridades terem estudado a análise de riscos preparada pelo instituto científico de Saúde Pública em que colaboraram especialistas do projecto Modirisk, que estuda a biodiversidade dos mosquitos.
Isso mostra como até no espaço estamos correndo perigo. Temos que ter cuidado em todos os lugares que estivermos.
http://biologias.com/noticias/1265/esa-observa-insectos-perigosos-a-partir-do-espaco
sábado, 18 de agosto de 2012
Programa de computador mimetiza evolução humana
Agência FAPESP – Árvores de Decisão são ferramentas computacionais que conferem às máquinas a capacidade de fazer previsões com base na análise de dados históricos. A técnica pode, por exemplo, auxiliar o diagnóstico médico ou a análise de risco de aplicações financeiras.
Mas, para ter a melhor previsão, é necessário o melhor programa gerador de Árvores de Decisão. Para alcançar esse objetivo, pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, se inspiraram na teoria evolucionista de Charles Darwin.
“Desenvolvemos um algoritmo evolutivo, ou seja, que mimetiza o processo de evolução humana para gerar soluções”, disse Rodrigo Coelho Barros, doutorando do Laboratório de Computação Bioinspirada (BioCom) do ICMC e bolsista da FAPESP.
A computação evolutiva, explicou Barros, é uma das várias técnicas bioinspiradas, ou seja, que buscam na natureza soluções para problemas computacionais. “É notável como a natureza encontra soluções para problemas extremamente complicados. Não há dúvidas de que precisamos aprender com ela”, disse Barros.
Segundo Barros, o software desenvolvido em seu doutorado é capaz de criar automaticamente programas geradores de Árvores de Decisão. Para isso, faz cruzamentos aleatórios entre os códigos de programas já existentes gerando “filhos”.
“Esses ‘filhos’ podem eventualmente sofrer mutações e evoluir. Após um tempo, é esperado que os programas de geração de Árvores de Decisão evoluídos sejam cada vez melhores e nosso algoritmo seleciona o melhor de todos”, afirmou Barros.
Mas enquanto o processo de seleção natural na espécie humana leva centenas ou até milhares de anos, na computação dura apenas algumas horas, dependendo do problema a ser resolvido. “Estabelecemos cem gerações como limite do processo evolutivo”, contou Barros.
Inteligência artificial
Em Ciência da Computação, é denominada heurística a capacidade de um sistema fazer inovações e desenvolver técnicas para alcançar um determinado fim.
O software desenvolvido por Barros se insere na área de hiper-heurísticas, tópico recente na área de computação evolutiva que tem como objetivo a geração automática de heurísticas personalizadas para uma determinada aplicação ou conjunto de aplicações.
“É um passo preliminar em direção ao grande objetivo da inteligência artificial: o de criar máquinas capazes de desenvolver soluções para problemas sem que sejam explicitamente programadas para tal”, detalhou Barros.
O trabalho deu origem ao artigo A Hyper-Heuristic Evolutionary Algorithm for Automatically Designing Decision-Tree Algorithms, premiado em três categorias na Genetic and Evolutionary Computation Conference (GECCO), maior evento da área de computação evolutiva do mundo, realizado em julho na Filadélfia, Estados Unidos.
Além de Barros, também são autores do artigo os professores André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, orientador da pesquisa no ICMC, Márcio Porto Basgalupp, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Alex Freitas, da University of Kent, no Reino Unido, que assumiu a co-orientação.
Os autores foram convidados a submeter o artigo para a revista Evolutionary Computation Journal, publicada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “O trabalho ainda passará por revisão, mas, como foi submetido a convite, tem grande chance de ser aceito”, disse Barros.
A pesquisa, que deve ser concluída somente em 2013, também deu origem a um artigo publicado a convite no Journal of the Brazilian Computer Society, após ser eleito como melhor trabalho no Encontro Nacional de Inteligência Artificial de 2011.
Outro artigo, apresentado na 11ª International Conference on Intelligent Systems Design and Applications, realizada na Espanha em 2011, rendeu convite para publicação na revista Neurocomputing.
Isto mostra que a tecnologia é aliada da ciência. Cada vez que a tecnologia avança contribui para a ciência.
http://biologias.com/noticias/1261/programa-de-computador-mimetiza-evolucao-humana
sábado, 11 de agosto de 2012
Cientistas desvendam o som 'grave' dos elefantes
Para produzir som os elefantes usam o mesmo mecanismo que os seres humanos e muitos outros mamíferos. Esta é a conclusão a que chegou um grupo de cientistas que pela primeira vez teve oportunidade de analisar a produção de som nestes animais.
Os elefantes comunicam entre si a grandes distâncias através de sons muito graves que estão abaixo da capacidade de audição do ouvido humano. Estes são catalogados como infra-sons, ondas sonoras extremamente graves, com frequências abaixo dos 20 hertz.
Os investigadores tinham já especulado sobre a classe de ressonância que se pode produzir de duas formas na laringe. A primeira teoria era que os elefantes utilizam o controlo neuronal para provocarem espasmos nos músculos da laringe, tal como fazem os gatos quando ronronam.
A segunda teoria era que os animais induzem um fluxo de ar constante que provoca vibrações nas cordas vocais, como sucede no caso dos humanos e em muitos outros mamíferos.
O grupo liderado pelo cientista Christian Herbstk, do Departamento de Biologia Cognitiva da Universidade de Viena, teve a oportunidade de testar as hipóteses quando um elefante morreu por causas naturais no jardim zoológico de Berlim.
Os investigadores observaram imagens a alta velocidade da laringe do elefante, entretanto removida, para comprovar se introduzindo um fluxo constante de ar as cordas vocais vibravam, isto, sem sinais nervosos.
A partir do som que se produziu, a hipótese do ronronar foi descartada. Além disso, com os princípios físicos observados, este tipo de sons produz-se por vibração das cordas vocais, tal como na maior parte dos mamíferos.
Isso é muito importante para que nós saibamos cada vez mais sobre os elefantes.
http://biologias.com/noticias/1258/cientistas-desvendam-o-som-grave-dos-elefantes
sábado, 4 de agosto de 2012
Detalhes da reprodução dos moluscos cefalópodes são revelados
Agência FAPESP – Em artigo de capa publicado no periódico Journal of Morphology, pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) descreveram detalhes até então obscuros do processo reprodutivo de moluscos cefalópodes, classe de animais marinhos a que pertencem os polvos, as lulas, as sépias e os náutilos.
A pesquisa foi feita com lulas da espécie Doryteuthis plei, coletadas no litoral de São Sebastião, em São Paulo, durante o doutorado de José Eduardo Amoroso Rodriguez Marian, com Bolsa da FAPESP, orientado pelo professor Osmar Domaneschi (in memoriam) e pela professora Sônia Godoy Bueno Carvalho Lopes.
“As lulas e os demais cefalópodes entram na fase reprodutiva no fim do ciclo de vida. Durante a cópula, os machos transferem seus gametas para as fêmeas por meio de um braço modificado conhecido como hectocótilo”, disse Marian.
Os espermatozoides são transferidos dentro de cápsulas chamadas espermatóforos, explicou o pesquisador. Essas estruturas são produzidas continuamente pelo macho quando ele atinge a maturidade sexual e ficam armazenadas no saco espermatofórico. A cada cópula, algumas dezenas de cápsulas são transferidas para as fêmeas.
“Já se conhecia esse processo, mas não se sabia por que os cefalópodes possuíam espermatóforos tão complexos. Para alguns autores, são as estruturas reprodutivas mais complexas do reino animal”, disse Marian.
Ao perceber a carência de trabalhos na área, Marian decidiu focar sua pesquisa de doutorado, que havia começado com tema mais amplo, no entendimento da estrutura e do funcionamento dos espermatóforos.
“Acreditava-se anteriormente que os machos desempenhavam um papel mais ativo na transferência de espermatozoides. Mas mostramos que o espermatóforo sozinho é capaz de se ancorar no corpo da fêmea, perfurar o tecido e se aderir a ele por meio da liberação de substâncias adesivas. Todo esse processo é autônomo, ou seja, realizado pelo próprio espermatóforo, e extracorpóreo”, explicou.
O espermatóforo tem três componentes principais, cada um deles com uma função diferente. “Além da massa espermática, que contém os espermatozoides, há o aparato ejaculatório, responsável pela ancoragem no corpo da fêmea e pela escarificação do tecido. Há ainda o corpo cimentante, estrutura que libera as substâncias adesivas”, disse Marian.
No artigo publicado no Journal of Morphology, Marian descreve em detalhes a chamada reação espermatofórica – processo durante o qual o aparato ejaculatório é projetado e a massa espermática e o corpo cimentante são liberados.
O tempo de duração desse fenômeno varia de acordo com a espécie. No caso das lulas estudadas, gira em torno de 30 segundos. “Mas, no caso do polvo gigante do Pacífico, cujo espermatóforo pode atingir um metro de comprimento, pode chegar a uma hora”, contou.
Para entender melhor cada etapa do processo, Marian, com auxílio de colegas do Centro de Biologia Marinha da USP, removeu os espermatóforos das lulas, engatilhou a reação espermatofórica vitro e observou o fenômeno sob as lentes do microscópio.
“O espermatóforo é uma cápsula alongada com cerca de um centímetro no caso da maioria das lulas. Em um dos ápices há um filamento. Quando esse filamento é tensionado, tem início a reação espermatofórica”, disse.
A pesquisa também deu origem a outras publicações. No periódico Acta Zoologica foi descrita uma análise morfológica detalhada do espermatóforo.
A constatação de que os espermatóforos tinham capacidade de perfurar o tecido das fêmeas rendeu um artigo no Journal of Molluscan Studies. Já na revista Papéis Avulsos de Zoologia foi publicado um outro artigo de revisão sobre o tema.
“Com base nas evidências que conseguimos reunir, desenvolvemos um modelo teórico para explicar o processo de implante de espermatóforos, fenômeno que permaneceu obscuro durante muito tempo”, contou Marian. Esse modelo foi divulgado em artigo no Biological Journal of the Linnean Society.
“Esses animais estão sempre nadando por meio de jato-propulsão e há muita turbulência na superfície de seus corpos. Isso, em teoria, dificulta a deposição de espermatóforos. O sistema de fixação por implante observado nos cefalópodes é eficiente a ponto de suportar a resistência imposta pelo modo de vida desses animais”, disse Marian.
Além do financiamento da FAPESP, o projeto contou com apoio do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap) da Capes, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, da American Malacological Society e da Houston Conchology Society.
A pesquisa recebeu quatro prêmios oferecidos por sociedades de malacologia – ramo da biologia que estuda os moluscos: American Malacological Society, Houston Conchology Society, Unitas Malacologica e Sociedade Brasileira de Malacologia.
Com esses detalhes podemos entender melhor a reprodução desses seres vivos.
http://biologias.com/noticias/1256/detalhes-da-reproducao-dos-moluscos-cefalopodes-sao-revelados
sábado, 28 de julho de 2012
Contribuição dos agentes polinizadores para a biodiversidade
Agência FAPESP – Por terem um papel crítico na conservação da biodiversidade e na agricultura, os agentes polinizadores são uma preocupação mundial. Sistematizar o conhecimento adquirido sobre o tema no Brasil, nos últimos anos, é o objetivo do livro Polinizadores no Brasil – Contribuição e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais, que será lançado nesta quinta-feira (26/07), durante o 10º Encontro sobre Abelhas de Ribeirão Preto, na cidade do interior paulista.
Produzido pelo Grupo de Pesquisa de Serviços Ambientais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), o livro é resultado de pesquisas que envolveram 85 pesquisadores de 36 instituições científicas, com a finalidade de conhecer a situação dos polinizadores do Brasil, seu impacto na agricultura, na biodiversidade e no agronegócio.
A publicação deriva de estudos apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Fundo Setorial do Agronegócio. Essas pesquisas, por sua vez, tiveram base nos resultados do Projeto Temático “Biodiversidade e uso sustentável de polinizadores, com ênfase em abelhas Meliponini”, coordenado por Vera Lucia Imperatriz Fonseca e realizado no âmbito do programa BIOTA-FAPESP.
Coordenadora do Grupo do IEA, Fonseca também liderou a organização do livro. Os outros organizadores e vice-coordenadores do grupo são Antonio Mauro Saraiva, da Escola Politécnica da USP, e Dora Ann Lange Canhos, do Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria). Fonseca atualmente é professora visitante sênior na Universidade Federal Rural do Semiárido.
“O Projeto Temático, encerrado em 2010, foi muito bem-sucedido e, além de possibilitar a formação de pessoal especializado, até hoje apresenta resultados na forma de publicações e teses. O livro é o primeiro documento em português que aborda o conhecimento atualizado sobre polinizadores no Brasil, tanto em áreas naturais como em agroecossistemas”, disse Fonseca à Agência FAPESP.
A qualidade da pesquisa realizada no Temático, segundo Fonseca, foi reconhecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ganhando uma menção honrosa da edição 2011 do Prêmio Capes de Tese Edição e duas indicações para a edição de 2012.
Segundo Fonseca, a preocupação mundial com os polinizadores tem aumentado, uma vez que o seu declínio tem consequências desastrosas tanto para a biodiversidade como para o agronegócio.
Os riscos de perda dos serviços de polinização são especialmente graves quando a agricultura é dependente de uma espécie de polinizador. “O livro está sendo publicado em um momento importante, no qual o desaparecimento das abelhas começa a ser notado também no Brasil”, disse Fonseca.
Segundo ela, o desaparecimento das abelhas foi detectado em 2007 no hemisfério Norte. Na América do Norte, a perda tem sido de 30% das colônias por ano, com necessidade de importação de abelhas para promover a polinização na agricultura. Na Comunidade Europeia, a perda também é expressiva e preocupante. No Brasil, os primeiros casos foram detectados em 2011.
“O livro tem o objetivo de apresentar o tema com foco no Brasil, mas com um resumo da situação global, incluindo uma proposta de estratégia de desenvolvimento da área para o Brasil”, disse Fonseca.
Ação humana
Segundo Fonseca, o livro não esgota o assunto, mas representa uma mobilização sem precedentes da comunidade brasileira de estudos sobre abelhas e polinizadores. “Além dos resultados das nossas pesquisas, o livro também tem o objetivo de formular uma política pública para polinizadores”, disse.
Temas como a importância da paisagem agrícola na manutenção dos serviços dos polinizadores e a necessidade de aumentar o número de coleções biológicas para o estudo da fauna de abelhas são alguns dos destaques do livro. A obra aborda também espécies invasoras e o efeito das ações antrópicas sobre a conservação e uso dos polinizadores.
“Outro destaque é a questão do desaparecimento das abelhas, que permeia todo o livro. O conhecimento começa a avançar nessa área e o livro mostra como esse desaparecimento pode ter ligação com alterações comportamentais humanas – como aumento do uso de pesticidas – e alterações climáticas que podem fragmentar populações desses animais”, explicou Fonseca.
A primeira parte do livro consiste em um estudo da conservação de biomas e as síndromes de polinização e polinizadores vertebrados, apresentando uma lista inédita desses agentes reunida por especialistas brasileiros.
“Nas partes subsequentes, temos uma série de artigos que tratam de polinizadores como besouros e mariposas, mas concentram-se nas abelhas, os polinizadores mais manejados para a agricultura”, disse Fonseca.
Os artigos tratam também de bases de dados de plantas e polinizadores, dos métodos de avaliação de biodiversidade, das coleções de polinizadores e informatização dos acervos, da construção de palinotecas (coleção de grãos de pólen) e sua importância para manejo de polinizadores.
“O livro apresenta ainda uma série de estudos de caso que utilizam a modelagem preditiva como método de comunicação com os tomadores de decisão, abordando eventos climáticos previstos pelo IPCC. Toda a parte de modelagem foi desenvolvida no Projeto Temático”, disse Fonseca.
A acção desses agentes polinizadores é essencial para a biodiversidade. A extinção deles seria um desequilibrio ambiental.
http://biologias.com/noticias/1250/contribuicao-dos-agentes-polinizadores-para-a-biodiversidade
Produzido pelo Grupo de Pesquisa de Serviços Ambientais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), o livro é resultado de pesquisas que envolveram 85 pesquisadores de 36 instituições científicas, com a finalidade de conhecer a situação dos polinizadores do Brasil, seu impacto na agricultura, na biodiversidade e no agronegócio.
A publicação deriva de estudos apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Fundo Setorial do Agronegócio. Essas pesquisas, por sua vez, tiveram base nos resultados do Projeto Temático “Biodiversidade e uso sustentável de polinizadores, com ênfase em abelhas Meliponini”, coordenado por Vera Lucia Imperatriz Fonseca e realizado no âmbito do programa BIOTA-FAPESP.
Coordenadora do Grupo do IEA, Fonseca também liderou a organização do livro. Os outros organizadores e vice-coordenadores do grupo são Antonio Mauro Saraiva, da Escola Politécnica da USP, e Dora Ann Lange Canhos, do Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria). Fonseca atualmente é professora visitante sênior na Universidade Federal Rural do Semiárido.
“O Projeto Temático, encerrado em 2010, foi muito bem-sucedido e, além de possibilitar a formação de pessoal especializado, até hoje apresenta resultados na forma de publicações e teses. O livro é o primeiro documento em português que aborda o conhecimento atualizado sobre polinizadores no Brasil, tanto em áreas naturais como em agroecossistemas”, disse Fonseca à Agência FAPESP.
A qualidade da pesquisa realizada no Temático, segundo Fonseca, foi reconhecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ganhando uma menção honrosa da edição 2011 do Prêmio Capes de Tese Edição e duas indicações para a edição de 2012.
Segundo Fonseca, a preocupação mundial com os polinizadores tem aumentado, uma vez que o seu declínio tem consequências desastrosas tanto para a biodiversidade como para o agronegócio.
Os riscos de perda dos serviços de polinização são especialmente graves quando a agricultura é dependente de uma espécie de polinizador. “O livro está sendo publicado em um momento importante, no qual o desaparecimento das abelhas começa a ser notado também no Brasil”, disse Fonseca.
Segundo ela, o desaparecimento das abelhas foi detectado em 2007 no hemisfério Norte. Na América do Norte, a perda tem sido de 30% das colônias por ano, com necessidade de importação de abelhas para promover a polinização na agricultura. Na Comunidade Europeia, a perda também é expressiva e preocupante. No Brasil, os primeiros casos foram detectados em 2011.
“O livro tem o objetivo de apresentar o tema com foco no Brasil, mas com um resumo da situação global, incluindo uma proposta de estratégia de desenvolvimento da área para o Brasil”, disse Fonseca.
Ação humana
Segundo Fonseca, o livro não esgota o assunto, mas representa uma mobilização sem precedentes da comunidade brasileira de estudos sobre abelhas e polinizadores. “Além dos resultados das nossas pesquisas, o livro também tem o objetivo de formular uma política pública para polinizadores”, disse.
Temas como a importância da paisagem agrícola na manutenção dos serviços dos polinizadores e a necessidade de aumentar o número de coleções biológicas para o estudo da fauna de abelhas são alguns dos destaques do livro. A obra aborda também espécies invasoras e o efeito das ações antrópicas sobre a conservação e uso dos polinizadores.
“Outro destaque é a questão do desaparecimento das abelhas, que permeia todo o livro. O conhecimento começa a avançar nessa área e o livro mostra como esse desaparecimento pode ter ligação com alterações comportamentais humanas – como aumento do uso de pesticidas – e alterações climáticas que podem fragmentar populações desses animais”, explicou Fonseca.
A primeira parte do livro consiste em um estudo da conservação de biomas e as síndromes de polinização e polinizadores vertebrados, apresentando uma lista inédita desses agentes reunida por especialistas brasileiros.
“Nas partes subsequentes, temos uma série de artigos que tratam de polinizadores como besouros e mariposas, mas concentram-se nas abelhas, os polinizadores mais manejados para a agricultura”, disse Fonseca.
Os artigos tratam também de bases de dados de plantas e polinizadores, dos métodos de avaliação de biodiversidade, das coleções de polinizadores e informatização dos acervos, da construção de palinotecas (coleção de grãos de pólen) e sua importância para manejo de polinizadores.
“O livro apresenta ainda uma série de estudos de caso que utilizam a modelagem preditiva como método de comunicação com os tomadores de decisão, abordando eventos climáticos previstos pelo IPCC. Toda a parte de modelagem foi desenvolvida no Projeto Temático”, disse Fonseca.
A acção desses agentes polinizadores é essencial para a biodiversidade. A extinção deles seria um desequilibrio ambiental.
http://biologias.com/noticias/1250/contribuicao-dos-agentes-polinizadores-para-a-biodiversidade
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Cientistas descobrem por que tomates vistosos não são saborosos
Agência FAPESP – Um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos identificou as alterações moleculares responsáveis pelo "amadurecimento uniforme" característico da maioria dos tomates à venda em supermercados e feiras.
Essas alterações fazem com que os tomates amadureçam no tempo certo para os vendedores, ganhando em aparência e aumentando as vendas. Mas o "amadurecimento uniforme" também implica em redução no sabor do fruto, que acaba com “gosto de papelão”, segundo a revista científica Science, que acaba de publicar os resultados do novo estudo.
A mutação não afeta propriamente o processo de amadurecimento, mas o padrão de pigmentação do fruto durante seu desenvolvimento. Os pigmentos em questão são as clorofilas e carotenos presentes em cloroplastos, sendo que a mutação do “amadurecimento uniforme” afeta negativamente a formação dessas organelas. Como os cloroplastos são responsáveis pela fotossíntese (a qual irá gerar açúcar) e são reservatórios de carotenos, frutos que não possuem a citada mutação tendem a ter um pouco mais de açúcar e licopeno (caroteno). Contudo, a diferença é pequena, além desses compostos não serem os principais determinantes do sabor dos frutos, mas sim de sua qualidade, conforme explicpu Lázaro Peres, professor no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo, em comentário para a Agência FAPESP sobre o estudo feito nos Estados Unidos.
Há mais de meio século os produtores têm desenvolvido e selecionado variedades de tomate com coloração verde clara e uniforme antes do amadurecimento.
Na nova pesquisa, Ann Powell, da Universidade da Califórnia em Davis, e colegas dos Estados Unidos, Espanha e Argentina identificaram que o gene responsável pelo amadurecimento do tomate codifica um fator de transcrição denominado GLK2.
Esse fator, uma proteína que regula outros genes, aumenta a capacidade de o fruto fazer fotossíntese, ajudando na produção de açúcares e de licopeno, substância carotenoide que produz a cor avermelhada.
O problema é que a mutação responsável pelo amadurecimento uniforme desativa o gene GLK2. O resultado é que a produção com base no amadurecimento uniforme tem o efeito indesejado de promover o desenvolvimento inferior dos cloroplastos, que contêm a clorofila responsável por transformar energia solar em açúcar. Ou seja, com a perda nos cloroplastos, cai também a produção de ingredientes fundamentais para o sabor do fruto.
“A informação a respeito do gene responsável pelo amadurecimento em variedades selvagens e tradicionais fornece uma estratégia para tentar recapturar as características de qualidade que acabaram excluídas involuntariamente dos modernos tomates cultivados”, disse Powell.
Os autores do estudo sugerem que a manipulação dos níveis de GLK os de seus padrões de expressão podem eventualmente ajudar na produção de tomates e de outros produtos agrícolas com melhor qualidade.
Isso mostra que as aparências enganam. E a ciência sempre nos ajuda nesse tipo de escolha.
http://biologias.com/noticias/1245/cientistas-descobrem-por-que-tomates-vistosos-nao-sao-saborosos
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Parasita marinho é batizado em homenagem a Bob Marley
Um pequeno crustáceo parasita que se alimenta de peixes no mar do Caribe foi batizado de Bob Marley pelo biólogo que o descobriu, em uma homenagem ao finado ícone do reggae.
O pequeno organismo marinho, que suga o sangue dos peixes que habitam os recifes de coral das águas baixas do leste do Caribe, será conhecido como Gnathia marleyi, em um tributo ao músico jamaicano.
"Batizei esta espécie, que é uma verdadeira maravilha natural, com o nome de Marley em sinal de respeito e admiração por sua música", disse Paul Sikkel, biólogo marinho da Universidade do Arkansas.
"Esta espécie é particularmente caribenha, como foi Marley", destacou Sikkel no site da Fundação de Ciência Natural.
O crustáceo, da família dos isópodes gnatídeos, é a primeira nova espécie encontrada no Caribe nas últimas duas décadas.
Uma bela descoberta para a ciência e uma ótima homenagem a Bob Marley. Crustáceo Caribenho.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1119117-parasita-marinho-e-batizado-em-homenagem-a-bob-marley.shtml
sábado, 7 de julho de 2012
Os muitos frutos da ‘árvore da vida’
Estudo mostra que extração do buriti permite conciliar geração de renda e conservação da espécie
Uma das plantas mais generosas, da qual se aproveita tudo – da folha ao óleo –, o buriti alcançou um prestígio tal que é tratado como “árvore da vida”, sobretudo por quem lida com ele. Uma pesquisa de doutorado do Instituto de Biologia (IB) sobre essa planta mostrou que é possível, às comunidades rurais que fazem o extrativismo do seu fruto, conciliar geração de renda e ao mesmo tempo conservação da espécie. O autor do trabalho, o engenheiro florestal Maurício Bonesso Sampaio, mostrou que há um menor impacto desse tipo de extrativismo do que em outras atividades que agridem o meio ambiente, como o desmatamento por exemplo.
Segundo verificou Maurício, em sua investigação feita da Unicamp (ele fez graduação e mestrado na Universidade de Brasília – UnB), mesmo sendo removidos até 70% dos frutos dessas populações, o impacto ainda não terá sido demasiado. “É que o extrativista não prejudica a semente pois, em sua atividade, apenas retira a polpa dos frutos. Como as sementes ficam intactas, se forem retornadas ao brejo pelos extrativistas, as populações de buriti seguirão o seu curso normal”, informa.
O extrativismo de frutos, repara o pesquisador, é uma alternativa econômica mais sustentável do que outras formas de uso da terra e, apesar de não dispor de dados sobre o quanto o buriti movimenta em termos de cifras nas regiões de sua ocorrência, Maurício ouviu relatos de que muitas famílias conseguem obter uma renda mensal de até dez mil reais unicamente com a comercialização de produtos à sua base, lembrando que a safra dura um período de três ou quatro meses, que é o tempo de duração da safra.
De acordo com o doutorando, atualmente as empresas são as que mais compram os produtos do buriti. E os doces caseiros são os que mais agradam, sendo produzidos e comercializados no Brasil pelos próprios extrativistas, moradores das zonas rurais. Entretanto, outras indústrias também estão interessadas no seu óleo, em geral do ramo cosmético.
Há cenários contudo, reconhece ele, que podem pôr em risco o desenvolvimento do ciclo de vida do buriti. O estudo de Maurício – orientado pelo docente do IB Flávio Antonio Maës dos Santos – chegou a sugerir que um revés como o fogo é capaz de causar grandes impactos à produção de frutos e à manutenção das populações, caso a queimada ocorra no interior dos brejos.
O fogo que acaba atingindo múltiplas áreas, mas em pontos diferentes, a cada dois, três anos, se queimar no mesmo local uma vez a cada dez anos, ou com uma frequência maior que isso, acabará inevitavelmente sendo nociva às populações de buriti, expõe o pesquisador.
Ao avaliar então os efeitos do extrativismo comercial de frutos para as populações naturais de buriti, Maurício ainda averiguou que “uma das problemáticas que persiste é a colheita intensa, que poderá trazer efeitos indesejados, diminuindo as chances de nascerem mudas que irão regenerar as populações de buritis”, relata. “Não existe plantio comercial do buriti no país.”
Se não houver regeneração, pode-se vislumbrar uma produção cada vez menor de frutos, e isso terá outros impactos, além dos ambientais, prevê o pesquisador. Os impactos poderão ser sociais, posto que muitas pessoas dependem desse extrativismo, mesmo para subsistência.
O buriti (Mauritia flexuosa), conta ele, é mais encontrado na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal e em uma pequena área da caatinga, e fora do Brasil, em países da América do Sul como Colômbia, Peru e Venezuela. No Estado de São Paulo, onde existe em menor proporção em uma pequena faixa do norte do Estado, está classificado como “Em Perigo” (EN) na lista oficial das espécies da flora do Estado de São Paulo ameaçadas de extinção (Resolução SMA 48 de 2004).
A planta é uma palmeira da família das Arecaceae, à qual também pertencem os coqueiros e, embora presente em vastas populações, fica restrita às formações brejosas. Em algumas situações, conforme o professor Flávio Antonio Maës dos Santos, notam-se populações quase lineares seguindo cursos d’água, chamadas popularmente veredas.
Peculiaridades
Na tese, o pesquisador escreveu três capítulos. O primeiro faz alusão à ontogenia: como ocorrem modificações nas características morfológicas dos indivíduos ao longo do ciclo de vida, como a planta cresce e a partir de que tamanho produz frutos.
Entre os achados, Maurício revelou que a produção de frutos pode iniciar quando a planta alcança perto de oito metros de altura (uma palmeira pode alcançar 30 metros). Outra coisa: ela vive centenas de anos e é nativa de Trinidad e Tobago e da América do Sul.
No segundo capítulo, ele testou os efeitos do extrativismo de frutos e das queimadas (bastante frequentes no Cerrado) na ecologia de populações do buriti. Já no terceiro capítulo, avaliou os fatores sociais que influem no extrativismo de frutos e em outros usos nos brejos, como a criação de gado e porcos, e o estabelecimento de roças de arroz, milho, feijão, etc.
Mas foi no trabalho de campo que Maurício realmente compreendeu a dinâmica do buriti. Para isso, visitou três regiões – duas no Estado de Tocantins (o Jalapão, ao leste do Estado e o nordeste, próximo a Itacajá e Santa Maria do Tocantins) e uma ao sul do Estado do Piauí, onde se concentram pequenas indústrias produtoras do doce de buriti.
No primeiro ano, o doutorando passou quatro meses prospectando as áreas onde iria trabalhar e coletando dados para o terceiro capítulo da tese. Depois, a sua atuação passou a ser anual nas áreas estudadas. No caso do Jalapão, voltou de seis em seis meses, por encontrar terreno fértil para suas investigações. Em cada viagem, permanecia um mês no local.
A sua maior dificuldade foi identificar populações de buriti que tivessem pouco impacto antrópico (provocado pelo homem no meio em que vive). Um dos requisitos para este estudo era contar com áreas pristinas (o mais conservadas possível). Este foi o grande desafio, menciona Maurício.
Em muitos momentos, o engenheiro florestal requereu apoio das ONGs Pequi (Pesquisa e Conservação do Cerrado) e ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza). E, no trabalho de campo, teve colaborações dos próprios extrativistas – especialmente de um técnico da Emater, no sul do Piauí – e do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).
No capítulo envolvendo a parte social, ele recebeu ajuda das pesquisadoras Tamara Ticktin, da University of Hawai’i at Manoa, que estuda os efeitos do extrativismo de produtos florestais não madeireiros, e de Cristiana Seixas, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam).
De acordo com o professor Flávio, a tese de Maurício converge com uma série de trabalhos da linha de pesquisa de Ecologia de Populações de Plantas do IB, desenvolvidos há mais de duas décadas no Departamento de Biologia Vegetal.
Dentro dessa linha, os estudos sobre os efeitos da exploração sobre populações de plantas tiveram início graças a uma demanda de pós-graduandos a partir de 1995, relacionada ao impacto da exploração madeireira de espécies arbóreas na Amazônia.
A seguir, passou a incluir a exploração de produtos florestais não madeireiros, como a pesquisa de Maurício e de outra doutoranda, Cristina Baldauf, que engrossou a iniciativa estudando a janaguba, uma espécie arbórea vista no Cerrado.
“O trabalho de Maurício vai na direção de conjugar muitas variáveis e fazer análise de um componente social ligado a essa exploração. Ao mesmo tempo, tentou casar isso com a avaliação dos modelos de dinâmica: como as populações estão reagindo a essa exploração. É extremamente difícil encontrar na literatura pesquisas juntando essas abordagens em torno de um ponto comum”, realça o orientador.
Engenheiro florestal desenvolve duas cartilhas
A experiência obtida no campo de trabalho balizou Maurício a conceber duas cartilhas para as populações rurais que moram perto das áreas de brejo e que praticam o extrativismo de buriti.
As cartilhas são Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Buriti, que teve apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN); e Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Capim Dourado e do Buriti, produzida em parceria com os pesquisadores Isabel Schmidt, Isabel Figueiredo e Paulo Sano, analisando o capim dourado do Jalapão.
Uma cartilha aborda o fruto e a outra as folhas do buriti, que fornecem uma fibra muito empregada no artesanato do capim dourado. Maurício inclusive avaliou o impacto do extrativismo dessas folhas.
Cerca de mil exemplares foram distribuídos pelo ISPN para agroextrativistas do Cerrado. A expectativa é que os resultados contribuam para que essas comunidades continuem praticando o extrativismo, gerando renda e melhorando a sua distribuição e o acesso das pessoas à economia local.
Para Flávio, um dos pontos a ser ressaltado é que a extração é familiar, feita por pequenos grupos. Não é uma exploração intensiva, esclarece, porém falta apoio a essas pessoas e capacitação. “Se nutrirmos a ideia de que é possível criar uma economia mais vigorosa nessas regiões, as populações de buritis e as extrativistas poderão sofrer muito com isso.”
Este é uma coisa muito boa. Conciliando a renda com a conservação da espécie. Isso pode ser muito aproveitado e podemos tirar muito lucro disso.
http://biologias.com/noticias/1244/os-muitos-frutos-da-arvore-da-vida-
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