A investigação desenvolvida em colaboração com a Cellartis, primeira empresa do mundo a colocar no mercado células hepáticas e cardíacas derivadas de células estaminais humanas, permite manter células de fígado humanas (hepatócitos) em cultura durante longos períodos de tempo.
“Desenvolvemos uma maneira de cultivar os hepatócitos humanos in vitro de maneira a mantê-los funcionais durante um mês”, afirma Paula Alves ao Ciência Hoje. “Há muitas células de outros tipos cuja funcionalidade conseguimos manter in vitro durante muito tempo mas os hepatócitos são um grande desafio porque ao fim de pouco tempo em cultura deixam de ser úteis”, refere a investigadora principal deste estudo.
O fato da equipe do iBET conseguir manter a função hepática durante um mês permite usar a mesma população de hepatócitos para o estudo da metabolização de doses repetidas do mesmo fármaco, algo essencial para a aprovação dos novos medicamentos.
Como explica Paula Alves, a descoberta pode dar origem a duas situações: “Podemos fazer modelos mais representativos do que se passa no organismo para desenvolver drogas e ensaios de toxicidade” ou “podemos pensar que, num futuro próximo, haverá um fígado bioartificial com um componente biológica que permita manter a função hepática dos doentes durante algum tempo”.
Segundo a cientista, o modelo que acaba de ser publicado e escolhido para capa na edição de Abril da revista Hepatology é “mais um passo” no sentido de desenvolver um fígado bioartificial. No entanto, sublinha, “ainda há muito trabalho” para fazer.
O fígado bioartificial “nunca vai substituir” um fígado humano mas se os doentes em “fase crítica tiverem esse apoio podem salvar-se”, sublinha Paula Alves. Esta será assim uma “ferramenta muito preciosa” para conseguir manter vivos os doentes que não têm a função hepática a funcionar.
Esferoide de hepatócitos humanos com um caniculo biliar
Um dos próximos passos a dar na investigação que arrancou há seis anos é melhorar o modelo criado. “Achamos que o modelo ainda tem espaço para ser melhorado no prolongar da funcionalidade, o que pode ser feito com a adição de outros tipos de células que pertencem ao fígado e que não existem neste modelo porque só partimos de hepatócitos”, diz Paula Alves.
Neste momento, a equipa já submeteu um projecto (que aguarda financiamento) de dois a três anos, com o Centro de Transplantes do Hospital Curry Cabral, para usar tecidos de fígados humanos que não são aproveitados e “caminhar no sentido do fígado bioartificial”. Há ainda outra linha de investigação que o laboratório tem nesta direcção mas onde os investigadores estão tentando partir de células estaminais para chegar a hepatócitos funcionais.
A inovação tecnológica do trabalho da equipe do iBET é composta por Paula Alves, Manuel Carrondo, Rui Tostões, Catarina Brito, Sofia Leite e Margarida Serra é a utilização, pela primeira vez, de bioreatores de tanque agitado com perfusão, um equipamento que permite o fornecimento de nutrientes e oxigénio aos hepatócitos em condições específicas e controladas. O sistema desenvolvido pelos investigadores pode ainda ser melhorado e aplicado a outros órgãos cujos modelos in vitro disponíveis são pouco representativos.
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